Estela Gomes · 12 de fevereiro de 2012

O focalizador de DCS é inicialmente um cuidador.

Um cuidador do espaço onde a dança sagrada será realizada, espaço adequado para receber o grupo, com a luz suficiente do fogo que a todos energiza, com o solo e a terra que pode sustentar, apoiar e nutrir, com a ventilação para que o ar circule e possa dançar livre por todos os espaços e com a água da vida que pode suprir a sede do SER.

Um cuidador da construção de um centro/fonte que relembre a todos de onde viemos, daquilo que alimenta nosso SER a todo instante e para onde retornaremos.

Um cuidador do dar as mãos para que todos sejam convidados a vivenciar as Danças Circulares Sagradas acolhendo com abertura, amor e alegria quem quer que entre no círculo.

Um cuidador da preparação da sessão de danças e da escolha de um repertório adequado ao grupo, ao tema, ao objetivo do encontro com várias “cartas na manga” para momentos únicos e especiais que a vida apresenta.

Um cuidador da dança que lhe foi transmitida por alguém, que chegou até ele por um caminho especial e que ele se sente honrado em transmiti-la da melhor maneira possível usando suas habilidades físicas, mentais, emocionais e especialmente as espirituais no processo de focalização. Cuidador do movimento necessário em cada passo, em cada gesto, em cada ritmo que representa a vida de um povo.

Um cuidador da sua expressão verbal, da fala clara, bem articulada e ampliada, da voz amorosa e acolhedora; suave e firme; flexível e serena para as palavras assertivas que inspiram o grupo e mobilizam os corações presentes.

Um cuidador da escuta de todos, do acolhimento das vozes silenciosas e das falas reveladoras para o aprendizado de todos e a troca.

Um cuidador da energia sutil que flui quando estas danças acontecem, dos olhares que se encontram, dos sorrisos que se abrem e das lágrimas que escorrem.

Um cuidador da gratidão à vida e à força criadora Deus/Deusa tudo que é.

Um cuidador do silêncio que ecoa na alma revelando o presente sagrado que é viver.

O cuidado vem do amor que brota de dentro de nós. Em oferecer aquilo que sabemos ser necessário em cada momento. Em falar quando a expressão se faz importante e silenciar quando não cabem as palavras.

O amor que escuta os pedidos silenciosos de apoio, que observa os olhares indagadores e aceita cada circunstância que se apresenta como algo novo.

O amor que sabe que são necessárias perguntas para buscarmos as respostas, que precisamos de desafios para o autoconhecimento e que cada ser precisa caminhar com seus próprios pés sua jornada individual nesta Terra.

O amor que confia que a transformação de um único ser no grupo gera transformações no grupo todo, daí a responsabilidade de cada ser presente no círculo.

O seu amor auxilia o fortalecimento das raízes e impulsiona a expansão das asas para que cada ser plante seu próprio e diverso jardim, à sua maneira, com liberdade, criatividade e integridade.

E por fim o focalizador pode entregar à Terra e ao Céu o presente mais valioso que cultivou com tanto amor e cuidado: o tecido que teceu ao caminhar sua vida dançando!